CPRM aponta Cartografia geológica como chave para desenvolvimento econômico


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O CPRM afirma que, embora o mapeamento geológico historicamente seja uma das atividades prioritárias do órgão, muito ainda deve ser feito para que seja alcançado um nível de conhecimento compatível com o potencial geológico do território nacional.

"Os esforços têm sido concentrados nas áreas de embasamento pré-cambriano e o balanço atual do que já foi concluído, até o momento, mostra que cerca de 60% e 21% do território nacional estão mapeados nas escalas 1:250.000 e 1:100.000, respectivamente, e que menos de 3% tem cartografia geológica compatível com a escala de 1:50.000", disse a estatal em nota.

Os projetos técnicos em desenvolvimento, segundo o CPRM, que têm entre seus objetivos a realização de cartografia geológica, obedecem às diretrizes do Governo Federal, definidas no Plano Plurianual 2016-2019, dentro dos programas de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, tendo o Ministério de Minas e Energia (MME) como órgão executor.

"As atividades de cartografia geológica são desenvolvidas nas ações de levantamento geológico e do potencial mineral de novas fronteiras, realizadas em áreas com ambientes geológicos favoráveis para novas descobertas de depósitos minerais, mas que ainda não são regiões consolidadas sob o ponto de vista exploratório e de Estudo de Áreas de Relevante Interesse Mineral (ARIM), que configura províncias minerais conhecidas, onde já existem depósitos ou áreas mineralizadas significativas. Com a conclusão desses projetos referentes ao ciclo 2016-2019, serão disponibilizados os resultados de mapeamento em novas áreas, e em diferentes escalas", declara o CPRM.

"A realização de levantamentos geológicos básicos é atividade fundamental para a ampliação do conhecimento geológico, para a evolução das geociências e para o desenvolvimento econômico de qualquer nação", afirma Lúcia Travassos, chefe do Departamento de Geologia do órgão.

 

A pesquisadora também destaca que os projetos técnicos em execução têm como premissa fundamental a abordagem multitemática de dados, sob a estratégia de aliar a cartografia geológica, com dados de levantamentos aerogeofísicos, de prospecção geoquímica, de estudos de depósitos minerais, e tratar os dados de forma integrada, agregando valor às informações disponíveis, visando o entendimento do potencial mineral das áreas e a indicação de alvos prospectivos para atrair investimentos do setor mineral.

Além dos projetos de levantamentos geológicos sistemáticos, o CPRM disse que tem uma importante linha de atuação que é a integração geológica regional, que inclui, por exemplo, a geração de mapas geológicos estaduais, da nova versão do mapa geológico do Brasil, ou de integrações continentais e mapas internacionais abrangendo áreas de fronteira.

"Esses produtos integram as informações disponíveis para extensas áreas do Brasil ou da América do Sul. Eles ordenam, harmonizam e sistematizam o conhecimento geológico, servindo também de base para a definição de estratégias de ação e ensino em Geociências", declara Lúcia Travassos.

Aerogeofísica

O Serviço Geológico do Brasil também destacou a importância da aerogeofísica. Ela tem múltiplas aplicações, e consiste em importante ferramenta para subsidiar o mapeamento geológico sistemático do território brasileiro e, como consequência, a definição de ambientes geológicos favoráveis à presença de depósitos minerais. Por esta razão, o CPRM diz que dados aerogeofísicos são fundamentais para fomentar investimentos no setor mineral, e ainda para subsidiar a pesquisa hidrogeológica, especialmente em terrenos cristalinos, a exemplo da região do semiárido do Brasil.

"Os primeiros levantamentos aerogeofísicos no CPRM começaram da década de 1970, realizados em escala regional e com baixa densidade de informações, mas ainda assim foram fundamentais para subsidiar a pesquisa geológica em diversas áreas do escudo cristalino brasileiro, dentre as quais se destaca a região de Carajás e do Quadrilátero Ferrífero, hoje consolidadas e importantes províncias minerais que respondem pela maior parte da produção mineral do Brasil", declara a nota.

A partir de 2003, e com intuito de atender a demanda de disponibilizar dados aerogeofísicos de maior resolução, o CPRM conta que iniciou uma grande ação com o objetivo de recobrir toda a área do escudo pré-cambriano do Brasil, com aerolevantamentos magnetométricos e gamaespectrométricos, realizados com espaçamento entre as linhas de voo de 500m e altura de voo de 100m, para dar suporte à realização de pesquisas com maior nível de detalhe.

Esses novos aerolevantamentos, segundo o órgão, foram financiados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também pelo Programa Cartografia da Amazônia, vinculado ao Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o CPRM e o Centro Gestor Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), visando a realização do Projeto Cartografia da Amazônia.

Dados

Como resultado destas ações governamentais, a estatal diz que, atualmente, mais de 90% da área do embasamento cristalino brasileiro dispõe de dados magnetométricos e gamaespectrométricos, obtidos com resolução adequada para dar suporte a trabalhos de maior detalhe.

"Inicialmente, os dados de levantamentos aerogeofísicos eram vendidos para empresas privadas e cedidos a universidades e instituições de pesquisa. Com entendimento de que estes dados não eram acessíveis para pequenos e médios empreendedores do setor mineral, o CPRM optou pela liberação integral, ampla e gratuita a todos os interessados", afirma.

De acordo com o órgão, para tentar quantificar a capacidade desses dados e fomentar o setor mineral, pode-se verificar o resultado do projeto aerogeofísico Escudo do Rio Grande do Sul. O número de requerimentos de pesquisa (minerais industriais, fertilizantes e corretivos de solo) na área da abrangência do projeto passou de 99, em 2010, para 435 ao final de 2017. Além disso, segundo informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), a arrecadação da Cfem no Rio Grande do Sul aumentou 38% entre 2011 e 2017, muito mais que a média nacional, de 17% no mesmo período.

Conforme o órgão, em 2018 a disponibilização de produtos relacionados a projetos da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais alcançou patamares de destaque, visto que vários projetos foram concluídos, incrementando significativamente o conhecimento geológico em diversas áreas do território nacional.

"Relatórios finais de 45 projetos foram lançados em eventos regionais em algumas capitais - Belém, Porto Velho, Fortaleza, Recife, Salvador, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre -, como forma de dar ampla divulgação aos produtos, prestar contas à sociedade dos recursos investidos na instituição e criar oportunidades de negócios para o setor mineral. Além disso, cerca de 200 mapas temáticos: geológicos, geológico-geofísicos, metalogenéticos, prospectivos etc) foram disponibilizados para consulta pública, além de bancos de dados mais de 30 projetos. Todos os produtos estão disponíveis para download no site do CPRM", disse o órgão.

Mapas Estaduais

Para 2019, o CPRM afirma que estão programadas atividades de integração geológica regional em seis Estados: Paraná, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Amapá. Os mapas geológicos estaduais, segundo o órgão, são importantes ferramentas para a gestão pública, além de dar suporte para pesquisas técnico-científicas, pois apresentam, de forma integrada, o estado da arte do conhecimento geológico e os recursos minerais. As informações são do CPRM.

 

Retirado de Notícias de Mineração do Brasil

Sept. 13, 2019, 8 a.m.